Em apenas oito anos a UFABC já construiu
uma reputação de excelência acadêmica que a posiciona entre as melhores
universidades brasileiras.
Nossos resultados e indicadores colocam a UFABC como formadora de
profissionais altamente qualificados, e produtora de pesquisa em nível
internacional. Tudo isso é corroborado pelas diversas avaliações às
quais a UFABC se submete, bem como à sua colocação nos principais
rankings universitários. A primeira vez que a UFABC figurou em
um ranking internacional foi em 2010, o que rendeu manchete em nosso
site: "UFABC aparece em ranking internacional". A menção no ranking
Scimago foi motivo de grande orgulho, principalmente pois ele nos
colocava com um excelente desempenho com relação ao impacto da produção
científica. No ano seguinte a notícia já era mais
auspiciosa, indicando o avanço da UFABC para a posição 2401 no ranking
Webometrics, que analisa universidades no mundo inteiro. Essa posição
avançou para 1690 em 2012, colocando a UFABC entre as 7% melhores
instituições de ensino superior do mundo. Em 2012 a UFABC também recebeu os
resultados da avaliação de seus cursos de graduação pelo MEC, incluindo a
avaliação do ENADE. Para nossa satisfação, a UFABC recebeu nota máxima
no IGC (índice geral de cursos). Das 2136 instituições de ensino
superior brasileiras analisadas, somente 27 obtiveram nota máxima,
colocando-nos na elite acadêmica brasileira. Além disso, diversos dos
cursos avaliados foram classificados entre os melhores de sua área no
Brasil. Ainda no ano de 2012 a UFABC voltou a
se destacar em rankings internacionais como o Scimago e também apareceu
muito bem colocada na primeira edição do Ranking Univesitário da Folha
(RUF). A partir de 2013 passamos a ostentar
resultados que nos colocavam na liderança em alguns quesitos levantados
pelos rankings internacionais. No Scimago deste ano aparecemos como
líderes universitários dentro do Brasil no quesito NI, que mede o quanto
nossas publicações são citadas. Este índice está diretamente
relacionado ao impacto da pesquisa aqui realizada. No RUF aparecemos
como primeiro colocado no quesito Internacionalização. Apesar da quantidade de resultados
positivos, ainda existiam dúvidas relacionadas a esses índices. A UFABC
possui grupos de pesquisa que participam de grandes colaborações
internacionais, que chegam a publicar centenas de artigos de alto
impacto por ano, usualmente com centenas de autores em cada artigo. Este
fato poderia inflar nossos resultados. Esse questionamento permaneceu aceso
até o ano de 2014, quando foi lançado o ranking CWTS, organizado pela
Universidade de Leiden. Este ranking utiliza uma base de dados diferente
dos rankings anteriores, e também normalizava o peso de cada artigo
publicado pelo número de autores. Mesmo com essas modificações, a UFABC
permaneceu como uma das líderes nacionais na quantidade de citações de
nossos artigos. Em 2014 também recebemos a excelente
notícia de que todos nosso bacharelados interdisciplinares, bem como
muitos de nossos cursos, haviam sido avaliados pelo MEC com nota 5, que é
o maior índice possível. Para finalizar, o RUF de 2014 nos colocou
novamente como a mais bem colocada universidade brasileira no quesito
internacionalização, bem como mostrou um avanço significativo na
classificação geral, chegando à 40a posição. Sabemos que cada ranking possui
maneiras diferentes de avaliar as instituições de ensino e pesquisa.
Desta forma, o bom desempenho em um único ranking não necessariamente
indica o nível de excelência de uma instituição. A UFABC, entretanto,
demonstra estar muito bem colocada em um grande número de rankings
diferentes e com critérios distintos. Desta forma, é inegável seu avanço
em direção à excelência acadêmica. Todos os resultados elencados acima,
tanto os dos cursos como os relacionados à pesquisa ou os que avaliam a
Universidade como um todo, mostram que a UFABC não veio para ser
coadjuvante no elenco de universidades nacionais. Viemos para figurar
entre as melhores, e para formar estudantes e produzir pesquisa em nível
de excelência. Esses resultados demonstram inequivocamente que a
comunidade UFABC tem realizado um excelente trabalho. Devemos continuar
neste passo para podermos oferecer o ensino e a pesquisa de alta
qualidade que tanto falta ao nosso país.
A região do ABC está acostumada a ser líder
no cenário nacional. Liderou como símbolo do desenvolvimento industrial
brasileiro; liderou o processo de sindicalização da força operária. Por muito
tempo, entretanto, foi relegada a papéis secundários no que tange o desenvolvimento
acadêmico, do ensino e da pesquisa nacionais.
Mas essa história está mudando. No início
do mês de dezembro, o Ministério da Educação divulgou a avaliação de 2.136 instituições de ensino superior. Segundo esta
avaliação, a Universidade Federal do ABC (UFABC) foi classificada como a segunda melhor
universidade brasileira. Somente 27 instituições atingiram a nota 5, conceito
máximo na avaliação, que indica a excelência de suas atividades.
Esses resultados aparecem no momento em
que a UFABC completa seis anos de fundação. Alguns de seus cursos, como Engenharia de Materiais,
Engenharia Ambiental e Urbana, Bacharelado e Licenciatura em Matemática e
Química, aparecem como os melhores cursos do Brasil em suas áreas. Dos 13 cursos
da UFABC que foram avaliados, dez estão entre os três primeiros do País.
Na UFABC os estudantes se deparam com
um projeto pedagógico inovador, adaptado às demandas do mundo moderno. Durante
os três primeiros anos, os alunos são matriculados nos Bacharelados
Interdisciplinares em ‘Ciência e Tecnologia’ ou em ‘Ciências e Humanidades’. Após
terem mais maturidade, escolhem o curso de formação específica que desejam
seguir. Os resultados do MEC demonstram que esta é uma fórmula de sucesso, capaz
de formar excelentes profissionais. A UFABC foi pioneira neste modelo, hoje
implementado em mais de uma dúzia de universidades federais.
Além disso, a UFABC reserva, desde o
seu primeiro ano, 50% de suas vagas para alunos cotistas. Os resultados da
avaliação do MEC também demonstram que não há dicotomia entre a inclusão social
e a excelência acadêmica. As cotas não diminuem a qualidade do ensino de uma
instituição.
O resultado destas avaliações vêm
coroar o trabalho desenvolvido na UFABC durante os últimos seis anos.
Representa o esforço de sua comunidade na busca da excelência acadêmica, a fim
de ajudar a colocar a região do ABC de volta à liderança do desenvolvimento
brasileiro.
A greve dos professores das universidades federais, iniciada no mês de maio, expõe um pequeno pedaço de uma grave crise nacional: o desprestígio do magistério.
Nossos jovens não almejam seguir a carreira de professor, principalmente por causa dos baixos salários e das precárias condições de trabalho.
Nas últimas décadas, nossa sociedade tem caminhado para um consenso sobre a importância da educação para o desenvolvimento do país. Sabe-se que a evolução da educação afeta diretamente áreas como saúde, segurança e saneamento. Cidadãos com mais anos de estudo tendem a cuidar melhor de si mesmos e do ambiente onde vivem.
Essa visão se consolida no momento em que se discute o novo Plano Nacional de Educação (PNE), mas retrocede ao colidir com barreiras para se destinar um mínimo de 10% do PIB brasileiro para essa área até o ano de 2020.
Sem a valorização da carreira docente corremos o risco de não termos mais professores para nossos filhos e netos nas próximas décadas.
Nas escolas de ensino fundamental e médio, o número de jovens professores tem diminuído; sobram vagas para docentes nos grandes centros e candidatos reprovados em concursos públicos são contratados para suprir essa carência; a procura por cursos de licenciatura nas universidades é muito baixa; o número de formandos está muito aquém do necessário, principalmente nas ciências exatas, como Física, Química e Matemática.
Em faculdades particulares, turmas são fechadas devido à falta de alunos. Isso ocorre mesmo com incentivos do governo, como o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) e o Programa Universidade para Todos (Prouni).
A situação não é diferente quando analisamos a situação dos professores universitários: faltam profissionais preparados em muitas áreas do conhecimento. Aqueles que devem formar os novos professores também são mal remunerados.
Nossos governantes tem mostrado, nos últimos tempos, todo seu arrojo, objetividade e coragem ao encarar de frente problemas sérios do cenário nacional.
Foi concedido recentemente aumento de 14% ao salário mínimo, muito acima da inflação, dando melhores condições de vida a milhões de brasileiros; diminuíram os lucros exorbitantes dos bancos, afetando um dos setores mais poderosos de nossa economia; foram alteradas as regras da poupança, porto seguro da classe média.
Já mostramos que, quando desejamos, temos capacidade e audácia para mexer em pontos críticos. Deveríamos, portanto, trabalhar em prol da valorização da carreira docente, desde a educação básica até a superior, incentivando nossos jovens a seguirem nesse rumo. Apesar disso não resolver todos os problemas da educação, certamente é um importante passo.
Alguns argumentam que, em muitos estados e municípios, faltariam recursos para tal valorização. Se for o caso, busquem-se empréstimos a serem pagos em longo prazo.
Afinal de contas, todos sabemos que a educação é um ótimo investimento, com rendimento garantido pela melhora direta da condição econômica e social da população.
Em novembro de 2004, a Academia Brasileira
de Ciências lançou declaração propondo subsídios básicos para uma reforma da
educação superior no Brasil. Esse documento baseou-se no Manifesto de Angra, assinado por alguns dos mais destacados
intelectuais brasileiros.
À época, considerou-se que o modelo adotado
pelas universidades brasileiras era ultrapassado e uma reforma era urgente. A
situação reportada ainda persiste, uma vez que as principais diretrizes do
modelo universitário brasileiro na maioria das instituições são as mesmas há
várias décadas.
Entre os principais conceitos propostos,
estava o ingresso em três grandes áreas e cursos compostos por ciclos curtos.
As áreas são: Ciências Básicas e Engenharia; Ciências da Vida; e Humanidades,
Artes e Ciências Sociais. Outro fundamento é a construção de cursos com perfis
interdisciplinares, visto que apenas os profissionais com formação científica
sólida e interdisciplinar são capazes de se adaptar eficientemente às
exigências do mercado de trabalho. Mencionava, também, entre diversos outros
pontos, a inclusão social e a defesa da Universidade pública e de qualidade.
O documento também reporta a necessidade de
valorização dos princípios acadêmicos nas universidades, baseada na avaliação
do mérito por comissões de pares. O financiamento deve ser prioritariamente
público, mas também devem ser buscadas fontes alternativas, e a autonomia
acadêmica e financeira deve ser perseguida caso a caso.
Muitos dos fundamentos discutidos em 2004
foram implementados por meio da criação da UFABC, como no caso dos bacharelados
interdisciplinares e da ausência de departamentos. Ao analisar esse documento
vemos, entretanto, que a maioria dos princípios fundamentais da reforma proposta
ainda precisam ser perseguidos. A UFABC é, certamente, a Universidade Federal
com maior potencial para realizar esses ideais.
O Brasil e a Índia fazem parte do grupo de países conhecido
como BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que têm se destacado
nos últimos anos pela importância econômica auferida em escala global. Apesar desse
ponto em comum, as relações bilaterais entre esses países ainda é bastante
tímida, principalmente quando analisadas pelo ponto de vista acadêmico.
Para tentar romper essas barreiras e desencadear o
desenvolvimento mútuo, o governo brasileiro, por meio do Itamaraty e do
Ministério da Educação, organizou uma comitiva acadêmica com o objetivo de
prospectar oportunidades de interação entre universidades brasileiras e indianas.
A comitiva foi composta por 11 pessoas, entre representantes do MEC, do Itamaraty,
do Grupo Coimbra de Universidades Brasileiras (GCUB), além de Reitores,
Vice-Reitores e professores de universidades brasileiras. Essa comitiva contou
com o apoio da Embaixada da Índia no Brasil.
Entre os dias 26/11 e 07/12/2011, visitamos inúmeras
instituições de ensino, pesquisa e empresas na Índia. Passamos por três
cidades: Delhi, a capital indiana; Bangalore, conhecida como o ‘vale do Silício
indiano’, devido à quantidade de empresas de TI que lá estão instaladas; e
Mumbai, a maior cidade indiana. Um relato detalhado sobre as instituições
visitadas pode ser encontrado abaixo.
Um dos fatores que mais nos surpreendeu foi a pequena
quantidade de brasileiros que residem na Índia. Apesar de ser o segundo pais
mais populoso do mundo, com cerca de 1,2 bilhões de habitantes, a Índia conta
com somente algumas centenas de cidadãos brasileiros residindo lá. A população
flutuante é um pouco maior, principalmente porque as indústrias brasileiras já
descobriram o grande potencial desse país. Em nossos vôos encontramos inúmeros
brasileiros indo à Índia a trabalho, enviados por grandes empresas nacionais e
multinacionais.
As duas maiores dificuldades com relação à interação
acadêmica entre instituições indianas e brasileiras são a distância entre os
dois países e a diferença cultural. O primeiro obstáculo é óbvio e intransponível,
afinal, não podemos diminuir a distância geográfica. Podemos, entretanto,
utilizar modernos meios de comunicação para organizar debates, consultas e
teleconferências. O segundo problema depende de cada indivíduo. A Índia possui
religião diferente, culinária diferente, estrutura social diferente. Apesar
disso, alguns valores intrínsecos ao povo indiano podem favorecer o convívio: são
pessoas de fácil trato, amigáveis e com uma forte base familiar, semelhante ao
que ocorre no Brasil. Um ponto muito positivo, que facilita muito a interação,
é o fato do idioma oficial acadêmico ser o inglês, inclusive para aulas de
graduação.
Do ponto de vista de cursos de graduação, a Índia possui
excelentes universidades, que figuram, inclusive, nos rankings de melhores
instituições do mundo. Há escolas de excelência em campos específicos, como os
IIT’s (Indian Institute of Technology),
com um número limitado de alunos, que formam alguns dos melhores engenheiros e
cientistas do mundo. Há também universidades maiores, abrangendo todas as áreas
do conhecimento, como a University of Mumbai, que possui mais de 500.000
alunos. Uma lista das universidades visitadas pode ser encontrada ao final
deste texto.
No que tange à pesquisa científica, há instituições de
grande destaque que manifestaram interesse em colaborações bilaterais. Os IIS (Indian Institute of Science) possuem
pesquisadores de renome internacional, que produzem ciência de alto nível. Possuem
equipamentos de última geração, elevando-os a um patamar de competitividade
invejável. Em um dos laboratórios visitados, observamos dois equipamentos de
MBE (molecular beam epitaxy)
dedicados exclusivamente ao crescimento de cristais de GaN, um importante
material para a indústria de dispositivos semicondutores.
Ao final da missão, concluímos que o Brasil e a Índia têm muito
a ganhar em interações e colaborações mútuas. Há muito espaço na Índia para que
pesquisadores e professores brasileiros cooperem, por meio de intercâmbios de
curta e média duração. Da mesma forma, caso haja interação entre grupos de
pesquisa dos dois países, alunos de pós-graduação também poderiam enriquecer
muito sua cultura e experiência por meio de estágios ”sanduíche”.
Uma questão um pouco mais difícil, mas que promete preciosos
frutos, é a mobilidade de estudantes de graduação. O Brasil ainda engatinha
nesse quesito, mas o programa Ciência sem Fronteiras pretende mudar essa
realidade. Estima-se que a Índia tenha hoje doze vezes mais jovens estudantes
em universidades americanas do que o Brasil, o que demonstra que na Índia a
internacionalização já é uma realidade.
Apesar da diferença cultural, o Brasil e a Índia têm muitos
pontos em comum, e a cooperação acadêmica certamente renderá muitos frutos.
Sugerimos que pesquisadores estabelecidos entrem em contato com grupos indianos
para buscar novas colaborações, e que procurem enviar seus estudantes de
pós-graduação para estágios. No caso de alunos de graduação, esperamos que num
futuro próximo tenhamos editais específicos nessa direção, inclusive dentro do
programa Ciência sem Fronteiras.
Anexo I:
Relato oficial da
missão (elaborado pelo Itamaraty):
Realizou-se entre os dias 28 de novembro e 6 de dezembro
missão na área educacional, integrada por representante do Ministério da
Educação, reitores, vice-reitores e professores de oito universidades
brasileiras e pela Chefe da DCE.
2.A delegação cumpriu extensa agenda em Nova Delhi, Bangalore e Mumbai,
conforme relato a seguir.
3.Em Nova Delhi, a delegação reuniu-se com a Sra. Vibha Puri Das,
Secretária-Executiva do Departamento de Educação Superior do "Ministry of
Human Resources Development". A Sra. Puri Das e sua equipe mostraram
interesse em aprofundar a cooperação educacional com o Brasil. Para tanto, foi
citada a vigência do "Programa de Intercâmbio sobre Cooperação na Área de
Educação", firmado em 2006 entre os dois países e, sob seu amparo, a
implementação do Programa Ciência sem Fronteiras (CsF) com a Índia. A Sra. Puri
Das destacou que o CsF coincide com o 12º plano quinquenal do Governo indiano
para a Educação (vigência para o período 2012-2017) pois tem como foco
justamente a "internacionalização", por meio da consolidação de
antigas parcerias e do estabelecimento de novas.
4.Na sede da Educational Consultants India Limited (EdCIL), a delegação
brasileira foi recebida pela Diretora da instituição, Sra. Anju Banerjee. Em
apresentação sobre as funções da EdCIL, a Sra. Banerjee destacou que a empresa
foi estabelecida em 1981 e que possui larga experiência tendo feito o
"placement" de estudantes de cerca de 30 países. A EdCIL, que cobra
por seus serviços (cerca de US$ 250/estudante ao ano), colocou-se à disposição
para firmar Memorando de Entendimento com eventuais contrapartes brasileiras
(como CAPES ou CNPq), com vistas a concretizar a cooperação acadêmica pretendida
no âmbito do CsF. A Diretora lembrou, ainda, que a EdCIL poderia auxiliar na
análise para equiparação de currículos ou na elaboração de currículos e
disciplinas para atender a demandas brasileiras específicas. A delegação, por
sua vez, procedeu à apresentação do CsF e demonstrou interesse em programa
indiano de incentivo à pesquisa acadêmica dirigida desde a graduação.
Constatou-se que o Brasil poder-se-ia beneficiar de contato futuro com a EdCIL,
com vistas a facilitar o "placement" e a correspondência de
currículos na cooperação acadêmica com a Índia.
5.Foi visitado o "Indian Institute of Technology - Delhi"
(IIT-Delhi), centro de ensino de grande prestígio, que mantém sedes nas maiores
cidades do país. Entre as áreas de excelência do IIT-Delhi destacam-se as
engenharias e a tecnologia de têxteis. Em reunião com o Diretor do IIT,
Professor M. Balakrishnan, foi sugerido que a cooperação se iniciasse com o
intercâmbio de cinco pesquisadores brasileiros (PhD`s) e três indianos. A
iniciativa precederia eventual assinatura de acordo entre o IIT-Delhi e
instituições brasileiras.
6.A Universidade de Delhi, na qual estudam aproximadamente 80.000 alunos em
seus vários campi, mostrou interesse em receber Professor Visitante e dispôs-se
a isentar eventuais intercambistas brasileiros das taxas acadêmicas. A
cooperação poderia ter início com assinatura de Carta de Intenções, na qual
constassem as áreas de interesse, os níveis acadêmicos e as formas de interação
com a indústria. As aulas teriam início em julho de 2012.
7.A Universidade Jawaharlal Nehru, criada em 1966, prioriza os programas de
pós-graduação e pesquisa, com destaque para as áreas de nanotecnologia e
medicina molecular. Há interesse da instituição em receber alunos brasileiros
no âmbito do CsF, bem como em enviar estudantes das áreas de ciências
biológicas para o Brasil.
8.No "International Centre for Genetic Engineering and Biotechnology"
(ICGEB), foi proposta a realização de seminário Brasil-Índia, com a
participação da FIOCRUZ, nas áreas de tuberculose, malária e dengue, como
iniciativa de aproximação entre o corpo científico e acadêmico de ambos os
países. O ICGEB assinalou que não seria necessária a firma de MoU para o
intercâmbio de professores e alunos. Há interesse em programas conjuntos de
pesquisa, especialmente na área de saúde.
9.Em Bangalore, a delegação manteve encontros com representantes da Infosys, da
Universidade de Manipal, do "Indian Institute of Science-Bangalore",
do "National Aerospace Laboratories", do Instituto Reva e com o
Professor C.N.R Rao, Conselheiro do Primeiro-Ministro para assuntos científicos
e tecnológicos.
10.A Infosys é uma empresa indiana com excelência em programas de treinamento
para grupos nas áreas de tecnologia de informação, softwares e "cloud
computing". A instituição já mantém convênios com quatro entidades
brasileiras: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade de São
Paulo (USP), Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Fundação Dom Cabral. Com moderna
infraestrutura, a Infosys tem capacidade para manter até 30.000 pessoas em
treinamento no campus. O principal resultado da reunião foi a perspectiva de
que a Infosys receba, para estágio, de 50 a 100 alunos brasileiros
participantes do CsF. É importante notar que a Infosys não concede títulos acadêmicos
("degree granting").
11.Os representantes da Universidade de Manipal receberam a delegação em hotel,
já que o principal campus está na cidade de Manipal. A Instituição tem
excelência nas ciências médicas e possui unidades em Antígua e Barbuda, Nepal,
Malásia e Dubai. Atualmente, 2.200 alunos estrangeiros, de 52 países, estudam
na universidade, que abriga a "melhor biblioteca de ciências da saúde da
Ásia".
12.O "Indian Institute of Science-Bangalore" é uma instituição
"industry oriented", que só oferece cursos de pós-graduação, com
ênfase nas áreas de engenharias, nanotecnologia, ciências da Terra, matemática
e física. Haveria interesse em desenvolver projetos conjuntos de pesquisa com
as instituições brasileiras, bem como em receber estudantes e pesquisadores
para cursos de curta duração, a exemplo dos "Summer Research
Programmes", de 6 meses.
13.O "National Aerospace Laboratories" (NAL) é uma instituição de
pesquisa aeroespacial e desenvolvimento tecnológico vinculada ao Ministério da
Ciência e Tecnologia. O NAL tem interesse em expandir a cooperação
internacional em aeronáutica civil e poderia estabelecer parcerias com o
Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), com a Empresa Brasileira de
Aeronáutica (Embraer) e com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Durante a reunião estabeleceu-se contato entre a NAL e a Universidade Federal
do Rio Grande do Norte (UFRN) para cooperação no campo de energia eólica.
14.O Reva Institute está diretamente ligado à EdCIL e fez apresentação das instituições
que o compõem. O instituto oferece curso de inglês para estrangeiros e mantém
bem-sucedido programa de pesquisa com universidades da Espanha e de La Plata,
na Argentina.
15.A delegação foi recebida pelo Professor C.N.R. Rao, reconhecido cientista
indiano, condecorado pela Ordem do Rio Branco. O Dr. Rao expressou satisfação
pelos progressos havidos no âmbito do Conselho Científico Brasil-Índia,
co-presidido por ele e pelo Dr. Jacob Palis, da Academia Brasileira de Ciências
(ABC). Nesse sentido, sugeriu a criação de Conselho semelhante voltado à
cooperação educacional. A sugestão foi apresentada durante a V Reunião da
COMISTA Brasil-Índia. Os indianos foram convidados para a primeira reunião do
referido Conselho, que passará a ser chamado Grupo de Trabalho de Educação, por
sugestão brasileira. O encontro está previsto para fevereiro de 2012.
16.Em Mumbai, a delegação visitou o Indian Institute of Technology-Bombay
(IIT-Bombay) e a Universidade de Mumbai.
17.O IIT-Bombay é a instituição indiana com melhor colocação em rankings
internacionais. Dos 8.000 alunos do Instituto, 5.000 freqüentam cursos de
pós-graduação. Todos residem no campus, que conta com incubadoras e centros de
pesquisa. O IIT-Bombay destaca-se pela excelência em engenharias, pesquisas
fotovoltaicas e pela intensa colaboração com a indústria. Por ano, o Instituto
registra de 35 a 40 patentes e produz cerca de 1.100 publicações. Nos últimos
anos, o IIT tem desenvolvido, ainda, tecnologias apropriadas para áreas rurais.
18.O IIT-Bombay promove anualmente o "Techfest", maior festival de
ciência e tecnologia da Ásia. A delegação brasileira foi convidada para
participar do evento, entre 6 e 8 de janeiro de 2012, ocasião em que alunos e
professores poderiam apresentar trabalhos, sobretudo na área de robótica. A
UFMG e a UFRN deverão enviar representantes para o Techfest.
19.Por fim, a Universidade de Mumbai, mais antiga Instituição de Ensino
Superior do país, mostrou interesse em receber estudantes de pós-graduação. É
dedicada à pesquisa e tem excelência em nanotecnologia. A cooperação acadêmica
com o Brasil poderia ter início com negociação de MoU que estabelecesse áreas
específicas de estudo e pesquisa conjuntos.
20.Avalio positivamente a missão e entendo ter sido este o primeiro passo para
uma produtiva cooperação acadêmica entre os dois países. A delegação foi
recebida com muito interesse por todas as instituições e manifestou preferência
em iniciar colaboração em pós-graduação, sobretudo com os institutos indianos
de ciência e tecnologia."
Recebi um e-mail de alguns alunos, que diziam estar fazendo seu trabalho final da disciplina de Estrutura e Dinâmica Social. O e-mail era assinado por dois alunos, mas foi enviado de um e-mail do qual não é possível garantir a procedência. Tal e-mail foi enviado a diversos colegas dirigentes, como pró-reitores e diretores.
O e-mail trazia seis perguntas sobre os bacharelados interdisciplinares da UFABC. Creio que tais perguntas possam passar pela cabeça de muitos de nossos colegas e, por isso, reproduzo abaixo as perguntas com as minhas respostas.
1) Qual a sua opinião sobre a validade da proposta interdisciplinar da UFABC? Por exemplo: Acha importante que um aluno de Engenharia Aeroespacial tenha como disciplina obrigatória Transformações dos Seres Vivos e Meio Ambiente?
R: A proposta interdisciplinar da UFABC é, sem dúvida alguma, totalmente válida. Trata-se do mais avançado projeto educacional vigente no Brasil, e acredito plenamente em seu sucesso. Uma das principais ideias de se cursar um amplo leque de disciplinas durante os anos iniciais do BCT é dar ao aluno um conhecimento amplo sobre diversas áreas, de forma a ajudá-lo a escolher melhor sua profissão futura. Tenho plena convicção de que estudar "Transformações dos Seres Vivos e Meio Ambiente" não fará mal algum ao Engenheiro Aeroespacial. Bem pelo contrário. Isso o ajudará a interagir melhor com outros segmentos durante sua carreira profissional.
2) Acha correto que as disciplinas possuam o mesmo peso em créditos para alunos de cursos discrepantes? Por exemplo, acha que um aluno de Ciência da Computação deve ser punido por ter um ruim desempenho em Transformações Químicas do mesmo jeito que um aluno cursando um Bacharelado em Química?
R. Sim. Todos os alunos devem ter a mesma avaliação. Deve ser notado que a UFABC leva em conta a aderência dos alunos com cada área. Permitimos que o aluno com desempenho inadequado seja promovido. Essa é a idéia do conceito D. O aluno que quer fazer Ciência da Computação pode tirar D em TQ e irá poder prosseguir no curso mesmo assim. Não permitimos, entretanto, que os alunos tirem muitos D's. Mesmo indo muito mal em algumas disciplinas (de preferência aquelas mais 'distantes' de sua carreira), ele poderá prosseguir seu curso sem percalços.
3) Acha que é sábio para uma universidade tão nova como a UFABCadotar um programa não tão convencional? Por quê?
R. Sim!!!! A única chance de implementar um projeto como o da UFABC é através da criação de uma nova universidade. Não seria possível fazer isso em uma universidade antiga, dada a inércia destas com relação às mudanças. A UFABC foi criada para esse projeto, e esse projeto foi criado para a UFABC.
4) Como você acha que a UFABC é vista por uma universidade tradicional bem respeitada?
R. Tenho certeza, baseado em conversas com dirigentes de outras instituições, que a UFABC é bem vista. A UFABC é tida como modelo para outras instituições. Hoje temos cerca de 14 outras Universidades Federais que estão adotando o modelo da UFABC. Além disso, a Escola Politécnica da USP, uma das melhores escolas de Engenharia do País, recentemente convidou nosso Reitor para fazer parte de um Grupo de Trabalho cujo objetivo era reestruturar os cursos da Poli. A proposta inicial deles era parecida com a proposta da UFABC.
5) Como você acha que um aluno formado na UFABC é visto no mercado de trabalho em relação à um aluno formado em uma universidade tradicional, com uma proposta não interdisciplinar?
R. Ainda temos poucos formandos para ter uma boa estatística. Mas já tive acesso a casos de muito sucesso. No que tange os estágios, temos tido bastante sucesso com relação à procura por nossos alunos. Acredito que o mercado de trabalho verá nossos alunos como de igual capacidade dos demais, mas com uma visão mais ampla dos problemas que enfrentará pela frente.
6) Qual sua opinião quanto ao fato de um aluno que pretendia apenas cursar engenharia obter um diploma em ciência e tecnologia além do diploma da engenharia pretendida? Acha que desvaloriza ou valoriza o aluno como engenheiro?
R. Certamente valoriza. Não acredito que um diploma extra poderá desvalorizar um engenheiro.
A Lei de criação d a U F A B C (11.145/2005) estabelece que sua inserção regional será caracterizada por meio de “atuação multicampi na região do ABC paulista”. Hoje, nossa sede é situada em Santo André, onde está a maior parte de nossa comunidade, e nosso segundo câmpus está sendo edificado em São Bernardo do Campo (SBC).
À medida que as obras em SBC evoluem, gradativamente atuamos de modo mais constante neste câmpus. É preciso garantir que tenha vida acadêmica própria, por meio da construção cotidiana de uma instituição comprometida com os mais altos valores acadêmicos pautados pelo ensino, pesquisa e extensão. É imperativo, também, preservar os princípios do nosso projeto pedagógico, principalmente a atuação interdisciplinar entre alunos, servidores, cursos e centros.
A configuração da UFABC não deve, necessariamente, seguir os conceitos adotados por outras instituições multicâmpus, visto que estamos localizados numa região relativamente pequena, em que a distância entre os câmpus é inferior a 10 km. Como esta é uma questão complexa, foi criado um grupo de trabalho para discuti-la. Este grupo já apresentou suas conclusões à Reitoria e ficou claro que, para que sejam tomadas decisões, faz-se mister uma ampla discussão com a comunidade. Para isso, e por ocasião das comemorações pelos 5 anos da UFABC, serão realizadas duas apresentações sobre o tema, nos dias 24 e 26 de maio. Contamos com a participação de todos os servidores e alunos.
O Brasil enfrenta hoje um sério problema no ensino fundamental e no ensino médio. Faltam profes- sores de quase todas as disciplinas, e grande parte dos alunos não recebe uma formação adequada. Vimos, nos últimos anos, uma melhorasemprecedentesno ensino superior, mas os níveis mais fundamentais ainda precisam ser melhor trabalhados.
A solução para essa questão depende de ações governamentais e trabalhistas para valorizar a carreira do magistério. Além disso, a Academia também deve discutir esse tema e buscar propostas alternativas para a área. A UFABC possui cinco cursos de licenciatura e, portanto, pode ajudar formando professores bem preparados para o mercado.
Ocorre, entretanto, que a busca pelos cursos de licenciatura da UFABC ainda é muito limitada. Possuímos projetos de incentivo a alunos de licenciatura, mas enfren- tamos dificuldades em preencher as vagas para as bolsas disponíveis.
Omodelopedagógicoda UFABC pode ajudar a resolver esse impasse. Permitimos que nossos alunos se formem em mais de um curso, validando disciplinas jácursadas.Issopotencializa, portanto, um aumento do número de interessados nas licenciaturas. O incentivo a esse tipo de ação, junto a outras ações propostas pela nossa comunidade, certamente ajudará a melhorar a qualidade do ensino no país.
Neste início de trimestre, em que a Universidade retoma suas atividades didáticas, ouço vários questionamentos quanto aos princípios e procedimentos básicos que devem ser adotados pelos nossos docentes. Muitos de nós são novos na instituição e, como somos uma Universidade diferente, as respostas comuns a outras instituições muitas vezes não se aplicam a nós. Recentemente recorri ao projeto pedagógico da UFABC para resolver algumas dessas dúvidas.
Nosso projetopedagógico é muito rico e, sem dúvida alguma, é leitura obrigatória a todos os docentes. Mesmo àqueles que o leram há algum tempo, sugiro uma releitura.
O projetopedagógico original da UFABC foca principalmente o BCT, mas os conceitos ali descritos foram utilizados durante a elaboração do projeto do BCH. Alguns dos conceitos mencionados no projetopedagógico original já são bem conhecidos entre os docentes, como a estruturação das disciplinas sobre eixos(Estrutura da Matéria, Processos de Transformação, Energia, Comunicação e Informação, Representação e Simulação, e Humanidades). É ali também que está definida a distribuição das disciplinas entre Livres, de Opção limitada e Obrigatórias.
Além disso, também há menção à estrutura dos centros, sem departamentos, de forma a propiciar a constante interação entre docentes, fundamentando assim o princípio mais básico da UFABC, que é a Interdisciplinaridade.
Nele também é enfatizada a importância das humanidades para a formação do cientista, do engenheiro e do professor, bem como a importância do estágio supervisionado para a completa formação de um profissional competente.
Meu objetivo aqui não é rever todos os pontos do nosso projeto, mas sim incentivá-los a lê-lo ou relê-lo. Anexo a este e-mail uma cópia do projetopedagógico da UFABC, que também pode ser encontrado no link
Alguns colegas me perguntam sobre o que penso do BCH, ou da área de humanidades em geral na UFABC. Não há dúvida que a área de humanidades é uma importante parte do Bacharelado em Ciências e Tecnologia. Entretanto, somente com o BCT, poderia parecer que as humanidades seriam meras coadjuvantes dentro da UFABC.
Esse realmente não é o caso, visto que temos excelentes professores e pesquisadores dessa área aqui. A UFABC decidiu criar um Bacharelado em Ciências e Humanidades e, assim como qualquer projeto que seja apoiado pela UFABC, deverá ser subsidiado para alcançar o sucesso. A UFABC não pode se dar ao luxo de ter cursos ou áreas menos desenvolvidas do que outras. Precisamos buscar juntos o sucesso de todos!
A Universidade de Kent foi fundada em 1959 na cidade de Canterbury, Reino Unido. Ela foi concebida para ser uma Universidade diferente das demais. Em 1963, pouco depois de sua fundação, importantes jornais noticiavam sobre as novidades propostas para essa Universidade. O “The Times” dizia que: “University Of Kent Sets Out To Be Different - Emphasis On Collegiate-Based Life. The Times. 4 April 1963.”
Essa Universidade possuía três faculdades: Ciências, Humanidades e Ciências Sociais, e não possuía departamentos. Ela era inovadora pois pregava uma forma de atuação interdisciplinar entre as três faculdades e entre diferentes profissionais. Todos alunos ingressavam através de um ciclo básico, fazendo estudos interdisciplinares por três anos para, após, se especializarem na carreira que desejariam seguir. A Universidade também pregava conceitos diferenciados em sua avaliação: os conceitos eram A, B, C e D, onde o D significava uma aprovação condicional. Será que essa descrição lembra os colegas de algo? Claro! Isso nos remete diretamente à nossa UFABC. Nosso projeto inovador no Brasil já era discutido em 1960 na Universidade de Kent.
Faço questão de mencionar a Universidade de Kent devido aos rumos que ela tomou. Nos dias de hoje, essa Universidade não mais tem o ciclo básico, os cursos são todos disciplinares e possuem mais de 15 departamentos espalhados por diversas faculdades e escolas. O projeto inovador não foi mantido. Parte disso se deve ao formato do ensino médio do Reino Unido: muitos alunos optam por se especializarem em algumas áreas já no nível médio. Dessa forma, quando entravam no ciclo básico, muitas das disciplinas ofertadas não ofereciam um nível compatível com o esperado por esses alunos.
A lição deixada por essa Universidade deve ser cuidadosamente analisada por nós, para que não repitamos o que aconteceu lá. Devemos manter nosso compromisso com o projeto pedagógico original da UFABC, para que possamos nos diferenciar das outras grandes instituições de São Paulo.
Conheci o Prof. Gustavo Dalpian ainda enquanto realizava as provas de meu concurso de ingresso na UFABC, em dezembro de 2007. Na época ele era diretor do CCNH e recepcionava os então candidatos a uma concorrida vaga em nosso centro. Após alguns minutos de bate-papo começamos a falar de ciência e alguns problemas mútuos. Uma vez no CCNH as idéias ali fomentadas floresceram e depois de menos de 1 ano de nosso contato inicial já tínhamos publicamos nosso primeiro artigo em colaboração. Porque considero este fato digno de nota neste momento? Porque ele representa uma característica preciosa do Gustavo que em minha opinião é fundamental ao dirigente no estágio em que se encontra a nossa Universidade: espírito prático aliado a uma incansável busca por eficiência e resultados rápidos imediatos. Outro exemplo claro desta característica é o fato de ele ser um dos mentores do primeiro programa de pós-graduação multidisciplinaridade da UFABC, o programa de Nanociências e Materiais Avançados, materializando de forma prática o principal pilar do projeto institucional de nossa Universidade. É por essa razão que irei votar no Gustavo para vice-reitor! Tenho plena convicção de que ele irá contribuir decisivamente na implementação de uma excelente gestão na Universidade. Herculano Martinho
Gostaria de iniciar essa conversa com a comunidade da UFABC fazendo uma afirmação que pode ser óbvia para muitas pessoas. O interessante, entretanto, é que, apesar de óbvio, muitos se esquecem disso em alguns momentos. Eu gostaria de lembrar a todos sobre o principal objetivo da Universidade: todos nós estamos aqui por causa dos estudantes.
Temos muitos colegas que acabam se envolvendo exclusivamente com um tipo de atividade, muitas vezes postas por necessidades da própria instituição. Alguns acabam cuidando somente de burocracias administrativas, outros focam na construção da infraestrutura da Universidade, enquanto outros preferem se dedicar somente a atividades de pesquisa, por exemplo, sem que haja interação com nossos alunos através de atividades de ensino de graduação, pós e extensão, nem a orientação de alunos em todos os níveis. Entendo que isso, por vezes, se torna necessário, e a Universidade não existiria sem o ‘sacrifício’ dessas pessoas pela Universidade.
No meu ponto de vista, entretanto, esse perfil não é o mais adequado para ocupar a posição de vice-reitor da UFABC. Precisamos de pessoas que tenham contato com a comunidade, e demonstrem competência evidente nos diversos segmentos da universidade. O cargo de Vice-Reitor é um cargo acadêmico, e não um cargo político-burocrático.
O ensino, como falei, deve ser prioridade total de qualquer administração. A avaliação dos docentes e dos alunos deve ser constante, de forma a tentar otimizar os processos de ensino dentro da Universidade. Muitos falam sobre problemas nessas áreas. Esses realmente existem, dados os relatos de alguns alunos. Mas qual a real extensão disso? Qual a real porcentagem de alunos que acham a aula de um dito professor muito ruins? Sem termos uma avaliação completa dos docentes, feita pelos discentes, torna-se difícil a realização de uma proposta sólida para o resolver o assunto.
Devemos lembrar que o ensino estende seus tentáculos também para outros segmentos, além da graduação. A pós-graduação também tem fundamental importância nesse quesito, juntamente com a pesquisa, que é feita, em sua maioria, por alunos de pós-graduação. A pós-graduação deverá ser um terreno muito fértil para a UFABC, que deve expandir bastante seus cursos de Mestrado e Doutorado. A consolidação da carreira de um docente necessitaque estes tenham orientado alunos nos mais diversos níveis. Além disso, temos um dever para com a região e para com nossos próprios alunos de graduação, de dar oportunidades para que esses se especializem.
Na extensão, o foco deveria ser um pouco mais direcionado para interações com instituições locais, como escolas, prefeituras, ONGs e empresas. Creio que esse também seja um segmento onde muito ainda possa ser feito.
A pesquisa, para finalizar, talvez seja um dos temas mais complexos de ser discutido, devido a dificuldade em compararmos as atividades de diferentes grupos. No ensino isso é mais simples: o ideal seria que cada docente, independente da área na qual trabalha e do centro ao qual pertence, desse em média o mesmo número de horas que seus colegas. Na pesquisa isso é mais complexo. Temos diversas formas diferentes para fazer isso. Há o ‘parâmetro H’, o número de citações, o número de artigos, matérias em jornais, quantidade de alunos de IC, mestrado e doutorado formados, o sucesso que esses alunos tiveram, a quantidade de verbas que esse pesquisador consegue angariar e, talvez mais importante que todos esses, o impacto que seus projetos têm na comunidade. É importante notar, entretanto, que esses parâmetros normalmente são bons para comparar pessoas com perfis semelhantes. Não podemos utilizar, por exemplo, o parâmetro H para comparar um Biólogo com um Filósofo! Nem um engenheiro eletricista com um matemático. A solução, nesse caso, é uma análise feita por nossos pares, seguindo critérios comuns para uma determinada área. O CNPq possui comitês de assessoramento de praticamente todas as áreas. Como você se compara aos critérios do seu comitê de área? Certamente alguns não concordam com os critérios dos comitês de assessoramento, mas penso que eles refletem a opinião de cada área.
Por fim, gostaria de mencionar o tema ‘administração’, que se refere diretamente ao que estamos concorrendo aqui. Observamos, no último ano e meio, um aumento significativo na transparência das tomadas de decisão na UFABC. Esse caminho não pode, de forma alguma, ser revertido. Observamos recentemente a eleição de novos diretores de centro, de conselhos de centro e dos conselhos superiores. Isso demonstra claramente a democratização da UFABC. Penso que alguns outros objetivos que deveriam ser perseguidos são a descentralização da administração, e a desburocratização do sistema. A nova direção também deverá trabalhar arduamente para equiparar os quadros de servidores e alguns outros indicadores aos de outras instituições federais. Nisso se inclui uma equiparação da relação docente/TA e também uma equiparação dessa relação com o número de CDs e FGs concedidos.
Para finalizar, acredito que com vontade, disposição, transparência, responsabilidade e competência, conseguiremos atingir todos os grandes objetivos uma vez propostos para a UFABC.
Nos últimos debates entre os candidatos a Reitor, ficou evidente a preocupação da plateia com relação aos laboratórios de ensino e pesquisa dentro da UFABC. Essa preocupação é dividida por todos os docentes, bem como nossos alunos de graduação e pós-graduação. Esse é certamente um problema importante, visto que nos dispusemos a ser uma Universidade com um grande enfoque em Ciência e Tecnologia. Não se faz Ciência e Tecnologia sem laboratórios modernos.
A situação hoje certamente não é adequada, mas isso deverá ser parcialmente revertido quando tivermos todos os prédios projetados para nossos Campi. Deve ser notado, entretanto, que a demanda por espaço de laboratórios deve continuar crescendo, á medida que novas tecnologias são desenvolvidas e que novos grupos de pesquisa são formados.
O Programa de Pós-Graduação em Nanociências e Materiais Avançados, que coordeno, já propôs a construção de um novo prédio de laboratório. Devemos ter em mente que esses prédios devem ser planejados para serem Laboratórios de Ensino e Pesquisa, e não prédios adaptados como os que dispomos hoje. Nosso objetivo inicial com esse projeto era utilizar a "Lei do Bem da Ciência", que dá benefícios fiscais a empresas que investem em Ciência e Tecnologia. Com o surgimento da crise global nos últimos anos, essa possibilidade foi ofuscada. Buscamos adaptar o projeto ao CT-Infra da FINEP, mas o projeto não foi aprovado na escolha dentro da UFABC.
Esse certamente é um assunto que sensibiliza todos na UFABC. Devemos, entretanto, ter responsabilidade para saber dos limites do que pode ser prometido. A UFABC deve buscar recursos junto aos órgãos federais e a empresas para viabilizar esses projetos. Entre as possibilidades estão o MEC, MCT, além de empresas. O ideal, nesse caso, seria utilizar recursos do governo federal para adquirir novas áreas nas redondezas do Campus de Santo André, e construir os prédios com recursos de projetos de nossos docentes, vinculados a empresas e usando a Lei do Bem da Ciência. Nas redondezas da UFABC há vários terrenos disponíveis como, por exemplo, um grande terreno quase em frente ao Hotel Ibis de Santo André.
A montagem de novos laboratórios certamente ocorrerá, independente dos dirigentes que estiverem á frente da UFABC. Não se faz Ciência e Tecnologia sem laboratórios!
Segundo o Estatuto da UFABC, o Vice-Reitor substitui o Reitor nas suas faltas e impedimentos. Além disso, segundo nosso Regimento, o Vice-Reitor deve exercer as atribuições definidas nos atos de delegação baixados pelo Reitor. Dessa forma, estou disposto a trabalhar junto ao nosso novo Reitor, ajudando-o a comandar a UFABC.
Caso eleito, eu certamente me colocarei a disposição do novo Reitor para assumir as tarefas designadas por ele. Creio, também, que como Vice-Reitor poderei assumir uma posição estratégica para fomentar o diálogo entre os centros, de forma a buscarmos metas conjuntas para o desenvolvimento dos nossos projetos. A consolidação da interdisciplinariedade da UFABC passa necessariamente pelo diálogo entre os três centros e, para isso, é fundamental que os dirigentes tenham boa relação com esses.
Nos projetos que desenvolvi dentro da UFABC, como a pós-graduação em Nanociências, fica claro que já coordenei projetos envolvendo mais de um centro. O sucesso da UFABC passa necessariamente por esse caminho.
Quinta-feira tivemos o primeiro debate entre os dois candidatos a Reitor da UFABC. Impressionou o número de pessoas que foram assistir ao debate. A sala 402, que é enorme, estava lotada, com muitas pessoas em pé no fundo da sala.
Impressinou também o currículo do Prof. Helio Waldman. Demonstra grande experiência em administração, além de ter um perfil científico muito elevado. É bolsista de produtividade nível 1B do CNPq. Trata-se de um engenheiro de altíssimo padrão.
Sua apresentação foi bastante clara, indicando metas específicas a serem obtidas durante seu mandato. Compartilho diversos dos valores propostos por ele: interdisciplinaridade, qualidade de gestão, responsabilidade, descentralização e planejamento participativo.
Os Servidores Técnico-administrativos da UFABC promoveram um debate entre alguns candidatos a Vice-Reitor no dia 16/11. A conversa, no meu ponto de vista, foi muito interessante e produtiva, pois nos deu a oportunidade de escutar suas demandas e expor nossas ideias . Essa conversa demonstrou que os TA's estão mobilizados e organizados. Isso é muito desejável, pois possibilita que a opinião e a vontade dos TA’s seja levada as instâncias com poder para tomar decisões.
A sala onde o debate foi realizado estava lotada, demonstrando que essa organização não está localizada somente em alguns servidores. Alguns dias após o debate, recebi um documento, escrito pela CIS (Comissão Interna de Supervisão), e que continha perguntas elaboradas pelos TA’s. Uma pena que o documento não foi enviado antes do debate.
Gostaria de me posicionar acerca de alguns dos questionamentos elaborados. Noto, entretanto, que a grande maioria desses questionamentos tangencia um tema central, que é o Planejamento Institucional. Esse assunto é, sem dúvida alguma, extremamente importante, e deve ser discutido com participação de todos os setores da Universidade: docentes, técnico administrativos e discentes. Nosso último reitor, Prof. Fazzio, criou a Pró-Reitoria de Planejamento, que deve ter suas atividades intensificadas na próxima gestão. As questões de distribuição de FG’s e CD’s, junto com o organograma de todos órgãos da UFABC devem passar em algum momento pelo setor de planejamento. Acredito que a nomeação dos assessores da próxima reitoria seja o primeiro tema importante que demandará a atenção do novo Reitor e Vice, assim que tomarem posse. A distribuição desses cargos deverá ser transparente, seguindo o que for indicado nos organogramas propostos. Creio que temos, nos nossos quadros, servidores técnico administrativos capacitados para assumir cargos de direção junto a setores técnicos da UFABC como a Administração, Planejamento e Prefeitura.
Quanto ao dimensionamento do número de servidores, a Lei de Criação da UFABC indica que teremos 600 docentes e 456 técnicos administrativos. Creio que esses valores possam ser revistos. Com a criação do campus de São Bernardo, já houve mudanças nesses números. É importante frisar, entretanto, que o crescimento do número de TA’s e docentes deve seguir a capacidade instalada de infra-estrutura predial. Dessa forma, os números devem crescer à medida que novos prédios forem completados.
Os pontos citados pelos TA’s em sua carta demonstram claramente que suas maiores preocupações estão ligadas diretamente à otimização do funcionamento da UFABC, que é um desejo de todos. Percebe-se que nenhuma das demandas dos TA's é conflitante com o pensamento dos docentes. Dessa forma, tenho certeza que, se todos continuarmos pensando da mesma maneira, e lutando por um mesmo objetivo, a UFABC se tornará um excelente lugar para trabalharmos e para formarmos alguns dos melhores estudantes do Brasil.
Gustavo Martini Dalpian, casado, três filhos, nascido em Lajeado, RS, fez sua graduação em Física - Licenciatura Plena - pela UFSM e Mestrado e Doutorado em Física pelo Instituto de Física da USP. Fez pós-doutorado na área de Engenharia e Ciências de Materiais nos EUA entre 2003 e 2006. Em 2006 iniciou suas atividades como Professor Adjunto da UFABC. É bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq. Coordena projetos financiados pela FAPESP, CAPES e CNPq. Orienta, dentro da UFABC, alunos de Iniciação Científica, Mestrado, Doutorado e pesquisadores de Pós-Doutorado. É Vice-Reitor da UFABC.