sexta-feira, 28 de novembro de 2014

A UFABC e os rankings universitários

Em apenas oito anos a UFABC já construiu uma reputação de excelência acadêmica que a posiciona entre as melhores universidades brasileiras. Nossos resultados e indicadores colocam a UFABC como formadora de profissionais altamente qualificados, e produtora de pesquisa em nível internacional. Tudo isso é corroborado pelas diversas avaliações às quais a UFABC se submete, bem como à sua colocação nos principais rankings universitários.
A primeira vez que a UFABC figurou em um ranking internacional foi em 2010, o que rendeu manchete em nosso site: "UFABC aparece em ranking internacional". A menção no ranking Scimago foi motivo de grande orgulho, principalmente pois ele nos colocava com um excelente desempenho com relação ao impacto da produção científica.
No ano seguinte a notícia já era mais auspiciosa, indicando o avanço da UFABC para a posição 2401 no ranking Webometrics, que analisa universidades no mundo inteiro. Essa posição avançou para 1690 em 2012, colocando a UFABC entre as 7% melhores instituições de ensino superior do mundo.
Em 2012 a UFABC também recebeu os resultados da avaliação de seus cursos de graduação pelo MEC, incluindo a avaliação do ENADE. Para nossa satisfação, a UFABC recebeu nota máxima no IGC (índice geral de cursos). Das 2136 instituições de ensino superior brasileiras analisadas, somente 27 obtiveram nota máxima, colocando-nos na elite acadêmica brasileira. Além disso, diversos dos cursos avaliados foram classificados entre os melhores de sua área no Brasil.
Ainda no ano de 2012 a UFABC voltou a se destacar em rankings internacionais como o Scimago e também apareceu muito bem colocada na primeira edição do Ranking Univesitário da Folha (RUF).
A partir de 2013 passamos a ostentar resultados que nos colocavam na liderança em alguns quesitos levantados pelos rankings internacionais. No Scimago deste ano aparecemos como líderes universitários dentro do Brasil no quesito NI, que mede o quanto nossas publicações são citadas. Este índice está diretamente relacionado ao impacto da pesquisa aqui realizada. No RUF aparecemos como primeiro colocado no quesito Internacionalização.
Apesar da quantidade de resultados positivos, ainda existiam dúvidas relacionadas a esses índices. A UFABC possui grupos de pesquisa que participam de grandes colaborações internacionais, que chegam a publicar centenas de artigos de alto impacto por ano, usualmente com centenas de autores em cada artigo. Este fato poderia inflar nossos resultados.
Esse questionamento permaneceu aceso até o ano de 2014, quando foi lançado o ranking CWTS, organizado pela Universidade de Leiden. Este ranking utiliza uma base de dados diferente dos rankings anteriores, e também normalizava o peso de cada artigo publicado pelo número de autores. Mesmo com essas modificações, a UFABC permaneceu como uma das líderes nacionais na quantidade de citações de nossos artigos.
Em 2014 também recebemos a excelente notícia de que todos nosso bacharelados interdisciplinares, bem como muitos de nossos cursos, haviam sido avaliados pelo MEC com nota 5, que é o maior índice possível. Para finalizar, o RUF de 2014 nos colocou novamente como a mais bem colocada universidade brasileira no quesito internacionalização, bem como mostrou um avanço significativo na classificação geral, chegando à 40a posição.
Sabemos que cada ranking possui maneiras diferentes de avaliar as instituições de ensino e pesquisa. Desta forma, o bom desempenho em um único ranking não necessariamente indica o nível de excelência de uma instituição. A UFABC, entretanto, demonstra estar muito bem colocada em um grande número de rankings diferentes e com critérios distintos. Desta forma, é inegável seu avanço em direção à excelência acadêmica.
Todos os resultados elencados acima, tanto os dos cursos como os relacionados à pesquisa ou os que avaliam a Universidade como um todo, mostram que a UFABC não veio para ser coadjuvante no elenco de universidades nacionais. Viemos para figurar entre as melhores, e para formar estudantes e produzir pesquisa em nível de excelência. Esses resultados demonstram inequivocamente que a comunidade UFABC tem realizado um excelente trabalho. Devemos continuar neste passo para podermos oferecer o ensino e a pesquisa de alta qualidade que tanto falta ao nosso país.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

ABC é líder acadêmico



A região do ABC está acostumada a ser líder no cenário nacional. Liderou como símbolo do desenvolvimento industrial brasileiro; liderou o processo de sindicalização da força operária. Por muito tempo, entretanto, foi relegada a papéis secundários no que tange o desenvolvimento acadêmico, do ensino e da pesquisa nacionais.

Mas essa história está mudando. No início do mês de dezembro, o Ministério da Educação divulgou a avaliação de 2.136 instituições de ensino superior. Segundo esta avaliação, a Universidade Federal do ABC  (UFABC) foi classificada como a segunda melhor universidade brasileira. Somente 27 instituições atingiram a nota 5, conceito máximo na avaliação, que indica a excelência de suas atividades.

Esses resultados aparecem no momento em que a UFABC completa seis anos de fundação. Alguns de seus cursos, como Engenharia de Materiais, Engenharia Ambiental e Urbana, Bacharelado e Licenciatura em Matemática e Química, aparecem como os melhores cursos do Brasil em suas áreas. Dos 13 cursos da UFABC que foram avaliados, dez estão entre os três primeiros do País.

Na UFABC os estudantes se deparam com um projeto pedagógico inovador, adaptado às demandas do mundo moderno. Durante os três primeiros anos, os alunos são matriculados nos Bacharelados Interdisciplinares em ‘Ciência e Tecnologia’ ou em ‘Ciências e Humanidades’. Após terem mais maturidade, escolhem o curso de formação específica que desejam seguir. Os resultados do MEC demonstram que esta é uma fórmula de sucesso, capaz de formar excelentes profissionais. A UFABC foi pioneira neste modelo, hoje implementado em mais de uma dúzia de universidades federais.

Além disso, a UFABC reserva, desde o seu primeiro ano, 50% de suas vagas para alunos cotistas. Os resultados da avaliação do MEC também demonstram que não há dicotomia entre a inclusão social e a excelência acadêmica. As cotas não diminuem a qualidade do ensino de uma instituição.

O resultado destas avaliações vêm coroar o trabalho desenvolvido na UFABC durante os últimos seis anos. Representa o esforço de sua comunidade na busca da excelência acadêmica, a fim de ajudar a colocar a região do ABC de volta à liderança do desenvolvimento brasileiro.






sexta-feira, 15 de junho de 2012

Quem quer ser professor?

A greve dos professores das universidades federais, iniciada no mês de maio, expõe um pequeno pedaço de uma grave crise nacional: o desprestígio do magistério.

Nossos jovens não almejam seguir a carreira de professor, principalmente por causa dos baixos salários e das precárias condições de trabalho.

Nas últimas décadas, nossa sociedade tem caminhado para um consenso sobre a importância da educação para o desenvolvimento do país. Sabe-se que a evolução da educação afeta diretamente áreas como saúde, segurança e saneamento. Cidadãos com mais anos de estudo tendem a cuidar melhor de si mesmos e do ambiente onde vivem.

Essa visão se consolida no momento em que se discute o novo Plano Nacional de Educação (PNE), mas retrocede ao colidir com barreiras para se destinar um mínimo de 10% do PIB brasileiro para essa área até o ano de 2020.

Sem a valorização da carreira docente corremos o risco de não termos mais professores para nossos filhos e netos nas próximas décadas.

Nas escolas de ensino fundamental e médio, o número de jovens professores tem diminuído; sobram vagas para docentes nos grandes centros e candidatos reprovados em concursos públicos são contratados para suprir essa carência; a procura por cursos de licenciatura nas universidades é muito baixa; o número de formandos está muito aquém do necessário, principalmente nas ciências exatas, como Física, Química e Matemática.

Em faculdades particulares, turmas são fechadas devido à falta de alunos. Isso ocorre mesmo com incentivos do governo, como o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) e o Programa Universidade para Todos (Prouni).

A situação não é diferente quando analisamos a situação dos professores universitários: faltam profissionais preparados em muitas áreas do conhecimento. Aqueles que devem formar os novos professores também são mal remunerados.

Nossos governantes tem mostrado, nos últimos tempos, todo seu arrojo, objetividade e coragem ao encarar de frente problemas sérios do cenário nacional.

Foi concedido recentemente aumento de 14% ao salário mínimo, muito acima da inflação, dando melhores condições de vida a milhões de brasileiros; diminuíram os lucros exorbitantes dos bancos, afetando um dos setores mais poderosos de nossa economia; foram alteradas as regras da poupança, porto seguro da classe média.

Já mostramos que, quando desejamos, temos capacidade e audácia para mexer em pontos críticos. Deveríamos, portanto, trabalhar em prol da valorização da carreira docente, desde a educação básica até a superior, incentivando nossos jovens a seguirem nesse rumo. Apesar disso não resolver todos os problemas da educação, certamente é um importante passo.

Alguns argumentam que, em muitos estados e municípios, faltariam recursos para tal valorização. Se for o caso, busquem-se empréstimos a serem pagos em longo prazo.

Afinal de contas, todos sabemos que a educação é um ótimo investimento, com rendimento garantido pela melhora direta da condição econômica e social da população.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Subsídios para a reforma da educação superior


Em novembro de 2004, a Academia Brasileira de Ciências lançou declaração propondo subsídios básicos para uma reforma da educação superior no Brasil. Esse documento baseou-se no Manifesto de Angra, assinado por alguns dos mais destacados intelectuais brasileiros.

À época, considerou-se que o modelo adotado pelas universidades brasileiras era ultrapassado e uma reforma era urgente. A situação reportada ainda persiste, uma vez que as principais diretrizes do modelo universitário brasileiro na maioria das instituições são as mesmas há várias décadas.

Entre os principais conceitos propostos, estava o ingresso em três grandes áreas e cursos compostos por ciclos curtos. As áreas são: Ciências Básicas e Engenharia; Ciências da Vida; e Humanidades, Artes e Ciências Sociais. Outro fundamento é a construção de cursos com perfis interdisciplinares, visto que apenas os profissionais com formação científica sólida e interdisciplinar são capazes de se adaptar eficientemente às exigências do mercado de trabalho. Mencionava, também, entre diversos outros pontos, a inclusão social e a defesa da Universidade pública e de qualidade.

O documento também reporta a necessidade de valorização dos princípios acadêmicos nas universidades, baseada na avaliação do mérito por comissões de pares. O financiamento deve ser prioritariamente público, mas também devem ser buscadas fontes alternativas, e a autonomia acadêmica e financeira deve ser perseguida caso a caso.

Muitos dos fundamentos discutidos em 2004 foram implementados por meio da criação da UFABC, como no caso dos bacharelados interdisciplinares e da ausência de departamentos. Ao analisar esse documento vemos, entretanto, que a maioria dos princípios fundamentais da reforma proposta ainda precisam ser perseguidos. A UFABC é, certamente, a Universidade Federal com maior potencial para realizar esses ideais.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Possibilidades de cooperação acadêmica Brasil-Índia



O Brasil e a Índia fazem parte do grupo de países conhecido como BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que têm se destacado nos últimos anos pela importância econômica auferida em escala global. Apesar desse ponto em comum, as relações bilaterais entre esses países ainda é bastante tímida, principalmente quando analisadas pelo ponto de vista acadêmico.

Para tentar romper essas barreiras e desencadear o desenvolvimento mútuo, o governo brasileiro, por meio do Itamaraty e do Ministério da Educação, organizou uma comitiva acadêmica com o objetivo de prospectar oportunidades de interação entre universidades brasileiras e indianas. A comitiva foi composta por 11 pessoas, entre representantes do MEC, do Itamaraty, do Grupo Coimbra de Universidades Brasileiras (GCUB), além de Reitores, Vice-Reitores e professores de universidades brasileiras. Essa comitiva contou com o apoio da Embaixada da Índia no Brasil.

Entre os dias 26/11 e 07/12/2011, visitamos inúmeras instituições de ensino, pesquisa e empresas na Índia. Passamos por três cidades: Delhi, a capital indiana; Bangalore, conhecida como o ‘vale do Silício indiano’, devido à quantidade de empresas de TI que lá estão instaladas; e Mumbai, a maior cidade indiana. Um relato detalhado sobre as instituições visitadas pode ser encontrado abaixo.

Um dos fatores que mais nos surpreendeu foi a pequena quantidade de brasileiros que residem na Índia. Apesar de ser o segundo pais mais populoso do mundo, com cerca de 1,2 bilhões de habitantes, a Índia conta com somente algumas centenas de cidadãos brasileiros residindo lá. A população flutuante é um pouco maior, principalmente porque as indústrias brasileiras já descobriram o grande potencial desse país. Em nossos vôos encontramos inúmeros brasileiros indo à Índia a trabalho, enviados por grandes empresas nacionais e multinacionais.

As duas maiores dificuldades com relação à interação acadêmica entre instituições indianas e brasileiras são a distância entre os dois países e a diferença cultural. O primeiro obstáculo é óbvio e intransponível, afinal, não podemos diminuir a distância geográfica. Podemos, entretanto, utilizar modernos meios de comunicação para organizar debates, consultas e teleconferências. O segundo problema depende de cada indivíduo. A Índia possui religião diferente, culinária diferente, estrutura social diferente. Apesar disso, alguns valores intrínsecos ao povo indiano podem favorecer o convívio: são pessoas de fácil trato, amigáveis e com uma forte base familiar, semelhante ao que ocorre no Brasil. Um ponto muito positivo, que facilita muito a interação, é o fato do idioma oficial acadêmico ser o inglês, inclusive para aulas de graduação.

Do ponto de vista de cursos de graduação, a Índia possui excelentes universidades, que figuram, inclusive, nos rankings de melhores instituições do mundo. Há escolas de excelência em campos específicos, como os IIT’s (Indian Institute of Technology), com um número limitado de alunos, que formam alguns dos melhores engenheiros e cientistas do mundo. Há também universidades maiores, abrangendo todas as áreas do conhecimento, como a University of Mumbai, que possui mais de 500.000 alunos. Uma lista das universidades visitadas pode ser encontrada ao final deste texto.

No que tange à pesquisa científica, há instituições de grande destaque que manifestaram interesse em colaborações bilaterais. Os IIS (Indian Institute of Science) possuem pesquisadores de renome internacional, que produzem ciência de alto nível. Possuem equipamentos de última geração, elevando-os a um patamar de competitividade invejável. Em um dos laboratórios visitados, observamos dois equipamentos de MBE (molecular beam epitaxy) dedicados exclusivamente ao crescimento de cristais de GaN, um importante material para a indústria de dispositivos semicondutores.

Ao final da missão, concluímos que o Brasil e a Índia têm muito a ganhar em interações e colaborações mútuas. Há muito espaço na Índia para que pesquisadores e professores brasileiros cooperem, por meio de intercâmbios de curta e média duração. Da mesma forma, caso haja interação entre grupos de pesquisa dos dois países, alunos de pós-graduação também poderiam enriquecer muito sua cultura e experiência por meio de estágios ”sanduíche”.

Uma questão um pouco mais difícil, mas que promete preciosos frutos, é a mobilidade de estudantes de graduação. O Brasil ainda engatinha nesse quesito, mas o programa Ciência sem Fronteiras pretende mudar essa realidade. Estima-se que a Índia tenha hoje doze vezes mais jovens estudantes em universidades americanas do que o Brasil, o que demonstra que na Índia a internacionalização já é uma realidade.

Apesar da diferença cultural, o Brasil e a Índia têm muitos pontos em comum, e a cooperação acadêmica certamente renderá muitos frutos. Sugerimos que pesquisadores estabelecidos entrem em contato com grupos indianos para buscar novas colaborações, e que procurem enviar seus estudantes de pós-graduação para estágios. No caso de alunos de graduação, esperamos que num futuro próximo tenhamos editais específicos nessa direção, inclusive dentro do programa Ciência sem Fronteiras.

Anexo I:
Relato oficial da missão (elaborado pelo Itamaraty):
Realizou-se entre os dias 28 de novembro e 6 de dezembro missão na área educacional, integrada por representante do Ministério da Educação, reitores, vice-reitores e professores de oito universidades brasileiras e pela Chefe da DCE.

2.A delegação cumpriu extensa agenda em Nova Delhi, Bangalore e Mumbai, conforme relato a seguir.

3.Em Nova Delhi, a delegação reuniu-se com a Sra. Vibha Puri Das, Secretária-Executiva do Departamento de Educação Superior do "Ministry of Human Resources Development". A Sra. Puri Das e sua equipe mostraram interesse em aprofundar a cooperação educacional com o Brasil. Para tanto, foi citada a vigência do "Programa de Intercâmbio sobre Cooperação na Área de Educação", firmado em 2006 entre os dois países e, sob seu amparo, a implementação do Programa Ciência sem Fronteiras (CsF) com a Índia. A Sra. Puri Das destacou que o CsF coincide com o 12º plano quinquenal do Governo indiano para a Educação (vigência para o período 2012-2017) pois tem como foco justamente a "internacionalização", por meio da consolidação de antigas parcerias e do estabelecimento de novas.

4.Na sede da Educational Consultants India Limited (EdCIL), a delegação brasileira foi recebida pela Diretora da instituição, Sra. Anju Banerjee. Em apresentação sobre as funções da EdCIL, a Sra. Banerjee destacou que a empresa foi estabelecida em 1981 e que possui larga experiência tendo feito o "placement" de estudantes de cerca de 30 países. A EdCIL, que cobra por seus serviços (cerca de US$ 250/estudante ao ano), colocou-se à disposição para firmar Memorando de Entendimento com eventuais contrapartes brasileiras (como CAPES ou CNPq), com vistas a concretizar a cooperação acadêmica pretendida no âmbito do CsF. A Diretora lembrou, ainda, que a EdCIL poderia auxiliar na análise para equiparação de currículos ou na elaboração de currículos e disciplinas para atender a demandas brasileiras específicas. A delegação, por sua vez, procedeu à apresentação do CsF e demonstrou interesse em programa indiano de incentivo à pesquisa acadêmica dirigida desde a graduação. Constatou-se que o Brasil poder-se-ia beneficiar de contato futuro com a EdCIL, com vistas a facilitar o "placement" e a correspondência de currículos na cooperação acadêmica com a Índia.

5.Foi visitado o "Indian Institute of Technology - Delhi" (IIT-Delhi), centro de ensino de grande prestígio, que mantém sedes nas maiores cidades do país. Entre as áreas de excelência do IIT-Delhi destacam-se as engenharias e a tecnologia de têxteis. Em reunião com o Diretor do IIT, Professor M. Balakrishnan, foi sugerido que a cooperação se iniciasse com o intercâmbio de cinco pesquisadores brasileiros (PhD`s) e três indianos. A iniciativa precederia eventual assinatura de acordo entre o IIT-Delhi e instituições brasileiras.

6.A Universidade de Delhi, na qual estudam aproximadamente 80.000 alunos em seus vários campi, mostrou interesse em receber Professor Visitante e dispôs-se a isentar eventuais intercambistas brasileiros das taxas acadêmicas. A cooperação poderia ter início com assinatura de Carta de Intenções, na qual constassem as áreas de interesse, os níveis acadêmicos e as formas de interação com a indústria. As aulas teriam início em julho de 2012.

7.A Universidade Jawaharlal Nehru, criada em 1966, prioriza os programas de pós-graduação e pesquisa, com destaque para as áreas de nanotecnologia e medicina molecular. Há interesse da instituição em receber alunos brasileiros no âmbito do CsF, bem como em enviar estudantes das áreas de ciências biológicas para o Brasil.

8.No "International Centre for Genetic Engineering and Biotechnology" (ICGEB), foi proposta a realização de seminário Brasil-Índia, com a participação da FIOCRUZ, nas áreas de tuberculose, malária e dengue, como iniciativa de aproximação entre o corpo científico e acadêmico de ambos os países. O ICGEB assinalou que não seria necessária a firma de MoU para o intercâmbio de professores e alunos. Há interesse em programas conjuntos de pesquisa, especialmente na área de saúde.

9.Em Bangalore, a delegação manteve encontros com representantes da Infosys, da Universidade de Manipal, do "Indian Institute of Science-Bangalore", do "National Aerospace Laboratories", do Instituto Reva e com o Professor C.N.R Rao, Conselheiro do Primeiro-Ministro para assuntos científicos e tecnológicos.

10.A Infosys é uma empresa indiana com excelência em programas de treinamento para grupos nas áreas de tecnologia de informação, softwares e "cloud computing". A instituição já mantém convênios com quatro entidades brasileiras: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade de São Paulo (USP), Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Fundação Dom Cabral. Com moderna infraestrutura, a Infosys tem capacidade para manter até 30.000 pessoas em treinamento no campus. O principal resultado da reunião foi a perspectiva de que a Infosys receba, para estágio, de 50 a 100 alunos brasileiros participantes do CsF. É importante notar que a Infosys não concede títulos acadêmicos ("degree granting").

11.Os representantes da Universidade de Manipal receberam a delegação em hotel, já que o principal campus está na cidade de Manipal. A Instituição tem excelência nas ciências médicas e possui unidades em Antígua e Barbuda, Nepal, Malásia e Dubai. Atualmente, 2.200 alunos estrangeiros, de 52 países, estudam na universidade, que abriga a "melhor biblioteca de ciências da saúde da Ásia".

12.O "Indian Institute of Science-Bangalore" é uma instituição "industry oriented", que só oferece cursos de pós-graduação, com ênfase nas áreas de engenharias, nanotecnologia, ciências da Terra, matemática e física. Haveria interesse em desenvolver projetos conjuntos de pesquisa com as instituições brasileiras, bem como em receber estudantes e pesquisadores para cursos de curta duração, a exemplo dos "Summer Research Programmes", de 6 meses.

13.O "National Aerospace Laboratories" (NAL) é uma instituição de pesquisa aeroespacial e desenvolvimento tecnológico vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. O NAL tem interesse em expandir a cooperação internacional em aeronáutica civil e poderia estabelecer parcerias com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), com a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) e com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Durante a reunião estabeleceu-se contato entre a NAL e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) para cooperação no campo de energia eólica.

14.O Reva Institute está diretamente ligado à EdCIL e fez apresentação das instituições que o compõem. O instituto oferece curso de inglês para estrangeiros e mantém bem-sucedido programa de pesquisa com universidades da Espanha e de La Plata, na Argentina.

15.A delegação foi recebida pelo Professor C.N.R. Rao, reconhecido cientista indiano, condecorado pela Ordem do Rio Branco. O Dr. Rao expressou satisfação pelos progressos havidos no âmbito do Conselho Científico Brasil-Índia, co-presidido por ele e pelo Dr. Jacob Palis, da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Nesse sentido, sugeriu a criação de Conselho semelhante voltado à cooperação educacional. A sugestão foi apresentada durante a V Reunião da COMISTA Brasil-Índia. Os indianos foram convidados para a primeira reunião do referido Conselho, que passará a ser chamado Grupo de Trabalho de Educação, por sugestão brasileira. O encontro está previsto para fevereiro de 2012.

16.Em Mumbai, a delegação visitou o Indian Institute of Technology-Bombay (IIT-Bombay) e a Universidade de Mumbai.

17.O IIT-Bombay é a instituição indiana com melhor colocação em rankings internacionais. Dos 8.000 alunos do Instituto, 5.000 freqüentam cursos de pós-graduação. Todos residem no campus, que conta com incubadoras e centros de pesquisa. O IIT-Bombay destaca-se pela excelência em engenharias, pesquisas fotovoltaicas e pela intensa colaboração com a indústria. Por ano, o Instituto registra de 35 a 40 patentes e produz cerca de 1.100 publicações. Nos últimos anos, o IIT tem desenvolvido, ainda, tecnologias apropriadas para áreas rurais.

18.O IIT-Bombay promove anualmente o "Techfest", maior festival de ciência e tecnologia da Ásia. A delegação brasileira foi convidada para participar do evento, entre 6 e 8 de janeiro de 2012, ocasião em que alunos e professores poderiam apresentar trabalhos, sobretudo na área de robótica. A UFMG e a UFRN deverão enviar representantes para o Techfest.

19.Por fim, a Universidade de Mumbai, mais antiga Instituição de Ensino Superior do país, mostrou interesse em receber estudantes de pós-graduação. É dedicada à pesquisa e tem excelência em nanotecnologia. A cooperação acadêmica com o Brasil poderia ter início com negociação de MoU que estabelecesse áreas específicas de estudo e pesquisa conjuntos.

20.Avalio positivamente a missão e entendo ter sido este o primeiro passo para uma produtiva cooperação acadêmica entre os dois países. A delegação foi recebida com muito interesse por todas as instituições e manifestou preferência em iniciar colaboração em pós-graduação, sobretudo com os institutos indianos de ciência e tecnologia."

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Perguntas e respostas sobre Bacharelados Interdisciplinares

Recebi um e-mail de alguns alunos, que diziam estar fazendo seu trabalho final da disciplina de Estrutura e Dinâmica Social. O e-mail era assinado por dois alunos, mas foi enviado de um e-mail do qual não é possível garantir a procedência. Tal e-mail foi enviado a diversos colegas dirigentes, como pró-reitores e diretores.

O e-mail trazia seis perguntas sobre os bacharelados interdisciplinares da UFABC. Creio que tais perguntas possam passar pela cabeça de muitos de nossos colegas e, por isso, reproduzo abaixo as perguntas com as minhas respostas.

1) Qual a sua opinião sobre a validade da proposta interdisciplinar da UFABC? Por exemplo: Acha importante que um aluno de Engenharia Aeroespacial tenha como disciplina obrigatória Transformações dos Seres Vivos e Meio Ambiente?

R: A proposta interdisciplinar da UFABC é, sem dúvida alguma, totalmente válida. Trata-se do mais avançado projeto educacional vigente no Brasil, e acredito plenamente em seu sucesso. Uma das principais ideias de se cursar um amplo leque de disciplinas durante os anos iniciais do BCT é dar ao aluno um conhecimento amplo sobre diversas áreas, de forma a ajudá-lo a escolher melhor sua profissão futura. Tenho plena convicção de que estudar "Transformações dos Seres Vivos e Meio Ambiente" não fará mal algum ao Engenheiro Aeroespacial. Bem pelo contrário. Isso o ajudará a interagir melhor com outros segmentos durante sua carreira profissional.

2) Acha correto que as disciplinas possuam o mesmo peso em créditos para alunos de cursos discrepantes? Por exemplo, acha que um aluno de Ciência da Computação deve ser punido por ter um ruim desempenho em Transformações Químicas do mesmo jeito que um aluno cursando um Bacharelado em Química?

R. Sim. Todos os alunos devem ter a mesma avaliação. Deve ser notado que a UFABC leva em conta a aderência dos alunos com cada área. Permitimos que o aluno com desempenho inadequado seja promovido. Essa é a idéia do conceito D. O aluno que quer fazer Ciência da Computação pode tirar D em TQ e irá poder prosseguir no curso mesmo assim. Não permitimos, entretanto, que os alunos tirem muitos D's. Mesmo indo muito mal em algumas disciplinas (de preferência aquelas mais 'distantes' de sua carreira), ele poderá prosseguir seu curso sem percalços.

3) Acha que é sábio para uma universidade tão nova como a UFABC adotar um programa não tão convencional? Por quê?

R. Sim!!!! A única chance de implementar um projeto como o da UFABC é através da criação de uma nova universidade. Não seria possível fazer isso em uma universidade antiga, dada a inércia destas com relação às mudanças. A UFABC foi criada para esse projeto, e esse projeto foi criado para a UFABC.

4) Como você acha que a UFABC é vista por uma universidade tradicional bem respeitada?

R. Tenho certeza, baseado em conversas com dirigentes de outras instituições, que a UFABC é bem vista. A UFABC é tida como modelo para outras instituições. Hoje temos cerca de 14 outras Universidades Federais que estão adotando o modelo da UFABC. Além disso, a Escola Politécnica da USP, uma das melhores escolas de Engenharia do País, recentemente convidou nosso Reitor para fazer parte de um Grupo de Trabalho cujo objetivo era reestruturar os cursos da Poli. A proposta inicial deles era parecida com a proposta da UFABC.

5) Como você acha que um aluno formado na UFABC é visto no mercado de trabalho em relação à um aluno formado em uma universidade tradicional, com uma proposta não interdisciplinar?

R. Ainda temos poucos formandos para ter uma boa estatística. Mas já tive acesso a casos de muito sucesso. No que tange os estágios, temos tido bastante sucesso com relação à procura por nossos alunos. Acredito que o mercado de trabalho verá nossos alunos como de igual capacidade dos demais, mas com uma visão mais ampla dos problemas que enfrentará pela frente.

6) Qual sua opinião quanto ao fato de um aluno que pretendia apenas cursar engenharia obter um diploma em ciência e tecnologia além do diploma da engenharia pretendida? Acha que desvaloriza ou valoriza o aluno como engenheiro?

R. Certamente valoriza. Não acredito que um diploma extra poderá desvalorizar um engenheiro.

sábado, 28 de maio de 2011

A UFABC Multicâmpus


A Lei de criação d a U F A B C (11.145/2005) estabelece que sua inserção regional será caracterizada por meio de “atuação multicampi na região do ABC paulista”. Hoje, nossa sede é situada em Santo André, onde está a maior parte de nossa comunidade, e nosso segundo câmpus está sendo edificado em São Bernardo do Campo (SBC).

À medida que as obras em SBC evoluem, gradativamente atuamos de modo mais constante neste câmpus. É preciso garantir que tenha vida acadêmica própria, por meio da construção cotidiana de uma instituição comprometida com os mais altos valores acadêmicos pautados pelo ensino, pesquisa e extensão. É imperativo, também, preservar os princípios do nosso projeto pedagógico, principalmente a atuação interdisciplinar entre alunos, servidores, cursos e centros.

A configuração da UFABC não deve, necessariamente, seguir os conceitos adotados por outras instituições multicâmpus, visto que estamos localizados numa região relativamente pequena, em que a distância entre os câmpus é inferior a 10 km. Como esta é uma questão complexa, foi criado um grupo de trabalho para discuti-la. Este grupo já apresentou suas conclusões à Reitoria e ficou claro que, para que sejam tomadas decisões, faz-se mister uma ampla discussão com a comunidade. Para isso, e por ocasião das comemorações pelos 5 anos da UFABC, serão realizadas duas apresentações sobre o tema, nos dias 24 e 26 de maio. Contamos com a participação de todos os servidores e alunos.

sábado, 30 de outubro de 2010

EM BUSCA DE LICENCIADOS

O Brasil enfrenta hoje um sério problema no ensino fundamental e no ensino médio. Faltam profes- sores de quase todas as disciplinas, e grande parte dos alunos não recebe uma formação adequada. Vimos, nos últimos anos, uma melhora sem precedentes no ensino superior, mas os níveis mais fundamentais ainda precisam ser melhor trabalhados.


A solução para essa questão depende de ações governamentais e trabalhistas para valorizar a carreira do magistério. Além disso, a Academia também deve discutir esse tema e buscar propostas alternativas para a área. A UFABC possui cinco cursos de licenciatura e, portanto, pode ajudar formando professores bem preparados para o mercado.


Ocorre, entretanto, que a busca pelos cursos de licenciatura da UFABC ainda é muito limitada. Possuímos projetos de incentivo a alunos de licenciatura, mas enfren- tamos dificuldades em preencher as vagas para as bolsas disponíveis.


O modelo pedagógico da UFABC pode ajudar a resolver esse impasse. Permitimos que nossos alunos se formem em mais de um curso, validando disciplinas já cursadas. Isso potencializa, portanto, um aumento do número de interessados nas licenciaturas. O incentivo a esse tipo de ação, junto a outras ações propostas pela nossa comunidade, certamente ajudará a melhorar a qualidade do ensino no país.

sábado, 26 de junho de 2010

Você já leu o projeto pedagógico hoje?

Neste início de trimestre, em que a Universidade retoma suas atividades didáticas, ouço vários questionamentos quanto aos princípios e procedimentos básicos que devem ser adotados pelos nossos docentes. Muitos de nós são novos na instituição e, como somos uma Universidade diferente, as respostas comuns a outras instituições muitas vezes não se aplicam a nós. Recentemente recorri ao projeto pedagógico da UFABC para resolver algumas dessas dúvidas.

Nosso projeto pedagógico é muito rico e, sem dúvida alguma, é leitura obrigatória a todos os docentes. Mesmo àqueles que o leram há algum tempo, sugiro uma releitura.

O projeto pedagógico original da UFABC foca principalmente o BCT, mas os conceitos ali descritos foram utilizados durante a elaboração do projeto do BCH. Alguns dos conceitos mencionados no projeto pedagógico original já são bem conhecidos entre os docentes, como a estruturação das disciplinas sobre eixos(Estrutura da Matéria, Processos de Transformação, Energia, Comunicação e Informação, Representação e Simulação, e Humanidades). É ali também que está definida a distribuição das disciplinas entre Livres, de Opção limitada e Obrigatórias.

Além disso, também há menção à estrutura dos centros, sem departamentos, de forma a propiciar a constante interação entre docentes, fundamentando assim o princípio mais básico da UFABC, que é a Interdisciplinaridade.

Nele também é enfatizada a importância das humanidades para a formação do cientista, do engenheiro e do professor, bem como a importância do estágio supervisionado para a completa formação de um profissional competente.

Meu objetivo aqui não é rever todos os pontos do nosso projeto, mas sim incentivá-los a lê-lo ou relê-lo. Anexo a este e-mail uma cópia do projeto pedagógico da UFABC, que também pode ser encontrado no link

http://www.ufabc.edu.br/images/stories/pdfs/institucional/projetopedagogico.pdf

sábado, 19 de junho de 2010

Acompanhem meu Twitter: http://twitter.com/gustavodalpian

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Candidato a Reitor

Caros colegas:
Meu candidato a Reitor para a UFABC é o Professor Helio Waldman.
http://heliowaldman.blogspot.com/

Cadê o BCH?

Alguns colegas me perguntam sobre o que penso do BCH, ou da área de humanidades em geral na UFABC. Não há dúvida que a área de humanidades é uma importante parte do Bacharelado em Ciências e Tecnologia. Entretanto, somente com o BCT, poderia parecer que as humanidades seriam meras coadjuvantes dentro da UFABC.

Esse realmente não é o caso, visto que temos excelentes professores e pesquisadores dessa área aqui. A UFABC decidiu criar um Bacharelado em Ciências e Humanidades e, assim como qualquer projeto que seja apoiado pela UFABC, deverá ser subsidiado para alcançar o sucesso. A UFABC não pode se dar ao luxo de ter cursos ou áreas menos desenvolvidas do que outras. Precisamos buscar juntos o sucesso de todos!

domingo, 6 de dezembro de 2009

O caso da “Kent University”

A Universidade de Kent foi fundada em 1959 na cidade de Canterbury, Reino Unido. Ela foi concebida para ser uma Universidade diferente das demais. Em 1963, pouco depois de sua fundação, importantes jornais noticiavam sobre as novidades propostas para essa Universidade. O “The Times” dizia que: “University Of Kent Sets Out To Be Different - Emphasis On Collegiate-Based Life. The Times. 4 April 1963.”

Essa Universidade possuía três faculdades: Ciências, Humanidades e Ciências Sociais, e não possuía departamentos. Ela era inovadora pois pregava uma forma de atuação interdisciplinar entre as três faculdades e entre diferentes profissionais. Todos alunos ingressavam através de um ciclo básico, fazendo estudos interdisciplinares por três anos para, após, se especializarem na carreira que desejariam seguir. A Universidade também pregava conceitos diferenciados em sua avaliação: os conceitos eram A, B, C e D, onde o D significava uma aprovação condicional. Será que essa descrição lembra os colegas de algo? Claro! Isso nos remete diretamente à nossa UFABC. Nosso projeto inovador no Brasil já era discutido em 1960 na Universidade de Kent.

Faço questão de mencionar a Universidade de Kent devido aos rumos que ela tomou. Nos dias de hoje, essa Universidade não mais tem o ciclo básico, os cursos são todos disciplinares e possuem mais de 15 departamentos espalhados por diversas faculdades e escolas. O projeto inovador não foi mantido. Parte disso se deve ao formato do ensino médio do Reino Unido: muitos alunos optam por se especializarem em algumas áreas já no nível médio. Dessa forma, quando entravam no ciclo básico, muitas das disciplinas ofertadas não ofereciam um nível compatível com o esperado por esses alunos.

A lição deixada por essa Universidade deve ser cuidadosamente analisada por nós, para que não repitamos o que aconteceu lá. Devemos manter nosso compromisso com o projeto pedagógico original da UFABC, para que possamos nos diferenciar das outras grandes instituições de São Paulo.

Depoimento do Prof. Herculano Martinho

Conheci o Prof. Gustavo Dalpian ainda enquanto realizava as provas de meu concurso de ingresso na UFABC, em dezembro de 2007. Na época ele era diretor do CCNH e recepcionava os então candidatos a uma concorrida vaga em nosso centro. Após alguns minutos de bate-papo começamos a falar de ciência e alguns problemas mútuos. Uma vez no CCNH as idéias ali fomentadas floresceram e depois de menos de 1 ano de nosso contato inicial já tínhamos publicamos nosso primeiro artigo em colaboração. Porque considero este fato digno de nota neste momento? Porque ele representa uma característica preciosa do Gustavo que em minha opinião é fundamental ao dirigente no estágio em que se encontra a nossa Universidade: espírito prático aliado a uma incansável busca por eficiência e resultados rápidos imediatos. Outro exemplo claro desta característica é o fato de ele ser um dos mentores do primeiro programa de pós-graduação multidisciplinaridade da UFABC, o programa de Nanociências e Materiais Avançados, materializando de forma prática o principal pilar do projeto institucional de nossa Universidade. É por essa razão que irei votar no Gustavo para vice-reitor! Tenho plena convicção de que ele irá contribuir decisivamente na implementação de uma excelente gestão na Universidade.
Herculano Martinho
Prof. Adjunto UFABC

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Apresentação no segundo debate

Gostaria de iniciar essa conversa com a comunidade da UFABC fazendo uma afirmação que pode ser óbvia para muitas pessoas. O interessante, entretanto, é que, apesar de óbvio, muitos se esquecem disso em alguns momentos. Eu gostaria de lembrar a todos sobre o principal objetivo da Universidade: todos nós estamos aqui por causa dos estudantes.

Temos muitos colegas que acabam se envolvendo exclusivamente com um tipo de atividade, muitas vezes postas por necessidades da própria instituição. Alguns acabam cuidando somente de burocracias administrativas, outros focam na construção da infraestrutura da Universidade, enquanto outros preferem se dedicar somente a atividades de pesquisa, por exemplo, sem que haja interação com nossos alunos através de atividades de ensino de graduação, pós e extensão, nem a orientação de alunos em todos os níveis. Entendo que isso, por vezes, se torna necessário, e a Universidade não existiria sem o ‘sacrifício’ dessas pessoas pela Universidade.

No meu ponto de vista, entretanto, esse perfil não é o mais adequado para ocupar a posição de vice-reitor da UFABC. Precisamos de pessoas que tenham contato com a comunidade, e demonstrem competência evidente nos diversos segmentos da universidade. O cargo de Vice-Reitor é um cargo acadêmico, e não um cargo político-burocrático.

O ensino, como falei, deve ser prioridade total de qualquer administração. A avaliação dos docentes e dos alunos deve ser constante, de forma a tentar otimizar os processos de ensino dentro da Universidade. Muitos falam sobre problemas nessas áreas. Esses realmente existem, dados os relatos de alguns alunos. Mas qual a real extensão disso? Qual a real porcentagem de alunos que acham a aula de um dito professor muito ruins? Sem termos uma avaliação completa dos docentes, feita pelos discentes, torna-se difícil a realização de uma proposta sólida para o resolver o assunto.

Devemos lembrar que o ensino estende seus tentáculos também para outros segmentos, além da graduação. A pós-graduação também tem fundamental importância nesse quesito, juntamente com a pesquisa, que é feita, em sua maioria, por alunos de pós-graduação. A pós-graduação deverá ser um terreno muito fértil para a UFABC, que deve expandir bastante seus cursos de Mestrado e Doutorado. A consolidação da carreira de um docente necessita que estes tenham orientado alunos nos mais diversos níveis. Além disso, temos um dever para com a região e para com nossos próprios alunos de graduação, de dar oportunidades para que esses se especializem.

Na extensão, o foco deveria ser um pouco mais direcionado para interações com instituições locais, como escolas, prefeituras, ONGs e empresas. Creio que esse também seja um segmento onde muito ainda possa ser feito.

A pesquisa, para finalizar, talvez seja um dos temas mais complexos de ser discutido, devido a dificuldade em compararmos as atividades de diferentes grupos. No ensino isso é mais simples: o ideal seria que cada docente, independente da área na qual trabalha e do centro ao qual pertence, desse em média o mesmo número de horas que seus colegas. Na pesquisa isso é mais complexo. Temos diversas formas diferentes para fazer isso. Há o ‘parâmetro H’, o número de citações, o número de artigos, matérias em jornais, quantidade de alunos de IC, mestrado e doutorado formados, o sucesso que esses alunos tiveram, a quantidade de verbas que esse pesquisador consegue angariar e, talvez mais importante que todos esses, o impacto que seus projetos têm na comunidade. É importante notar, entretanto, que esses parâmetros normalmente são bons para comparar pessoas com perfis semelhantes. Não podemos utilizar, por exemplo, o parâmetro H para comparar um Biólogo com um Filósofo! Nem um engenheiro eletricista com um matemático. A solução, nesse caso, é uma análise feita por nossos pares, seguindo critérios comuns para uma determinada área. O CNPq possui comitês de assessoramento de praticamente todas as áreas. Como você se compara aos critérios do seu comitê de área? Certamente alguns não concordam com os critérios dos comitês de assessoramento, mas penso que eles refletem a opinião de cada área.

Por fim, gostaria de mencionar o tema ‘administração’, que se refere diretamente ao que estamos concorrendo aqui. Observamos, no último ano e meio, um aumento significativo na transparência das tomadas de decisão na UFABC. Esse caminho não pode, de forma alguma, ser revertido. Observamos recentemente a eleição de novos diretores de centro, de conselhos de centro e dos conselhos superiores. Isso demonstra claramente a democratização da UFABC. Penso que alguns outros objetivos que deveriam ser perseguidos são a descentralização da administração, e a desburocratização do sistema. A nova direção também deverá trabalhar arduamente para equiparar os quadros de servidores e alguns outros indicadores aos de outras instituições federais. Nisso se inclui uma equiparação da relação docente/TA e também uma equiparação dessa relação com o número de CDs e FGs concedidos.

Para finalizar, acredito que com vontade, disposição, transparência, responsabilidade e competência, conseguiremos atingir todos os grandes objetivos uma vez propostos para a UFABC.

domingo, 29 de novembro de 2009

E os laboratórios?

Nos últimos debates entre os candidatos a Reitor, ficou evidente a preocupação da plateia com relação aos laboratórios de ensino e pesquisa dentro da UFABC. Essa preocupação é dividida por todos os docentes, bem como nossos alunos de graduação e pós-graduação. Esse é certamente um problema importante, visto que nos dispusemos a ser uma Universidade com um grande enfoque em Ciência e Tecnologia. Não se faz Ciência e Tecnologia sem laboratórios modernos.
A situação hoje certamente não é adequada, mas isso deverá ser parcialmente revertido quando tivermos todos os prédios projetados para nossos Campi. Deve ser notado, entretanto, que a demanda por espaço de laboratórios deve continuar crescendo, á medida que novas tecnologias são desenvolvidas e que novos grupos de pesquisa são formados.
O Programa de Pós-Graduação em Nanociências e Materiais Avançados, que coordeno, já propôs a construção de um novo prédio de laboratório. Devemos ter em mente que esses prédios devem ser planejados para serem Laboratórios de Ensino e Pesquisa, e não prédios adaptados como os que dispomos hoje. Nosso objetivo inicial com esse projeto era utilizar a "Lei do Bem da Ciência", que dá benefícios fiscais a empresas que investem em Ciência e Tecnologia. Com o surgimento da crise global nos últimos anos, essa possibilidade foi ofuscada. Buscamos adaptar o projeto ao CT-Infra da FINEP, mas o projeto não foi aprovado na escolha dentro da UFABC.
Esse certamente é um assunto que sensibiliza todos na UFABC. Devemos, entretanto, ter responsabilidade para saber dos limites do que pode ser prometido. A UFABC deve buscar recursos junto aos órgãos federais e a empresas para viabilizar esses projetos. Entre as possibilidades estão o MEC, MCT, além de empresas. O ideal, nesse caso, seria utilizar recursos do governo federal para adquirir novas áreas nas redondezas do Campus de Santo André, e construir os prédios com recursos de projetos de nossos docentes, vinculados a empresas e usando a Lei do Bem da Ciência. Nas redondezas da UFABC há vários terrenos disponíveis como, por exemplo, um grande terreno quase em frente ao Hotel Ibis de Santo André.
A montagem de novos laboratórios certamente ocorrerá, independente dos dirigentes que estiverem á frente da UFABC. Não se faz Ciência e Tecnologia sem laboratórios!

Qual o papel do Vice-Reitor?

Segundo o Estatuto da UFABC, o Vice-Reitor substitui o Reitor nas suas faltas e impedimentos. Além disso, segundo nosso Regimento, o Vice-Reitor deve exercer as atribuições definidas nos atos de delegação baixados pelo Reitor. Dessa forma, estou disposto a trabalhar junto ao nosso novo Reitor, ajudando-o a comandar a UFABC.

Caso eleito, eu certamente me colocarei a disposição do novo Reitor para assumir as tarefas designadas por ele. Creio, também, que como Vice-Reitor poderei assumir uma posição estratégica para fomentar o diálogo entre os centros, de forma a buscarmos metas conjuntas para o desenvolvimento dos nossos projetos. A consolidação da interdisciplinariedade da UFABC passa necessariamente pelo diálogo entre os três centros e, para isso, é fundamental que os dirigentes tenham boa relação com esses.

Nos projetos que desenvolvi dentro da UFABC, como a pós-graduação em Nanociências, fica claro que já coordenei projetos envolvendo mais de um centro. O sucesso da UFABC passa necessariamente por esse caminho.

domingo, 22 de novembro de 2009

Debate de candidatos a Reitor

Quinta-feira tivemos o primeiro debate entre os dois candidatos a Reitor da UFABC. Impressionou o número de pessoas que foram assistir ao debate. A sala 402, que é enorme, estava lotada, com muitas pessoas em pé no fundo da sala.

Impressinou também o currículo do Prof. Helio Waldman. Demonstra grande experiência em administração, além de ter um perfil científico muito elevado. É bolsista de produtividade nível 1B do CNPq. Trata-se de um engenheiro de altíssimo padrão.

Sua apresentação foi bastante clara, indicando metas específicas a serem obtidas durante seu mandato. Compartilho diversos dos valores propostos por ele: interdisciplinaridade, qualidade de gestão, responsabilidade, descentralização e planejamento participativo.

sábado, 21 de novembro de 2009

Carta dos Técnicos Administrativos

Os Servidores Técnico-administrativos da UFABC promoveram um debate entre alguns candidatos a Vice-Reitor no dia 16/11. A conversa, no meu ponto de vista, foi muito interessante e produtiva, pois nos deu a oportunidade de escutar suas demandas e expor nossas ideias . Essa conversa demonstrou que os TA's estão mobilizados e organizados. Isso é muito desejável, pois possibilita que a opinião e a vontade dos TA’s seja levada as instâncias com poder para tomar decisões.

A sala onde o debate foi realizado estava lotada, demonstrando que essa organização não está localizada somente em alguns servidores. Alguns dias após o debate, recebi um documento, escrito pela CIS (Comissão Interna de Supervisão), e que continha perguntas elaboradas pelos TA’s. Uma pena que o documento não foi enviado antes do debate.

Gostaria de me posicionar acerca de alguns dos questionamentos elaborados. Noto, entretanto, que a grande maioria desses questionamentos tangencia um tema central, que é o Planejamento Institucional. Esse assunto é, sem dúvida alguma, extremamente importante, e deve ser discutido com participação de todos os setores da Universidade: docentes, técnico administrativos e discentes. Nosso último reitor, Prof. Fazzio, criou a Pró-Reitoria de Planejamento, que deve ter suas atividades intensificadas na próxima gestão. As questões de distribuição de FG’s e CD’s, junto com o organograma de todos órgãos da UFABC devem passar em algum momento pelo setor de planejamento. Acredito que a nomeação dos assessores da próxima reitoria seja o primeiro tema importante que demandará a atenção do novo Reitor e Vice, assim que tomarem posse. A distribuição desses cargos deverá ser transparente, seguindo o que for indicado nos organogramas propostos. Creio que temos, nos nossos quadros, servidores técnico administrativos capacitados para assumir cargos de direção junto a setores técnicos da UFABC como a Administração, Planejamento e Prefeitura.

Quanto ao dimensionamento do número de servidores, a Lei de Criação da UFABC indica que teremos 600 docentes e 456 técnicos administrativos. Creio que esses valores possam ser revistos. Com a criação do campus de São Bernardo, já houve mudanças nesses números. É importante frisar, entretanto, que o crescimento do número de TA’s e docentes deve seguir a capacidade instalada de infra-estrutura predial. Dessa forma, os números devem crescer à medida que novos prédios forem completados.

Os pontos citados pelos TA’s em sua carta demonstram claramente que suas maiores preocupações estão ligadas diretamente à otimização do funcionamento da UFABC, que é um desejo de todos. Percebe-se que nenhuma das demandas dos TA's é conflitante com o pensamento dos docentes. Dessa forma, tenho certeza que, se todos continuarmos pensando da mesma maneira, e lutando por um mesmo objetivo, a UFABC se tornará um excelente lugar para trabalharmos e para formarmos alguns dos melhores estudantes do Brasil.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Debates

A comunidade da UFABC terá diversas chances de escutar, conversar e debater com os candidatos:
- dia 23/11, 14h: debate organizado pela comissão eleitoral;
- dia 01/12, 13h: conversa com docentes do CECS, organizado pela direção desse centro;
- dia 03/12 17h: debate organizado pela comissão eleitoral.

Creio que teremos muitas outras chances para conversar. Todos que desejarem também podem me procurar, na sala 1037 do Bloco B.